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Discurso do Ministro Celso Amorim na Cerimônia da Abertura da Reunião Ministerial do Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS) - Rio de Janeiro, 30 de março de 2006 |
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Senhora Ministra Nkosazana Dlamini-Zuma,
Senhor Ministro Anand Sharma, É com imensa satisfação que lhes dou as boas-vindas para esta Reunião Ministerial do Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul. A presença nesta sala de delegações numerosas dos três países atesta, por si, nosso compromisso com o continuado sucesso desta iniciativa. O IBAS completa, com este encontro, o primeiro ciclo de sua existência. Criamos o Fórum em 2003, em Brasília, a partir de uma idéia inspirada de minha querida amiga Ministra Zuma. Seguiram-se as reuniões ministeriais de Nova Delhi, em 2004, e da Cidade do Cabo, em 2005. Nossos líderes encontraram-se em duas ocasiões, em 2003 e 2005. Agora, reunimo-nos novamente no Brasil. Temos razões de sobra para comemorar os resultados alcançados nestes três primeiros anos. Um balanço de nossas ações comprova que avançamos muito na consolidação de um projeto de cooperação inédito entre países do Sul. O IBAS busca aproximar três grandes democracias do mundo em desenvolvimento com muitas características em comum. Brasil, Índia e África do Sul são atores de peso em suas respectivas regiões e têm atuação global. Os três países possuem vastos recursos naturais e apresentam elevados níveis de industrialização. Somos, também, sociedades multiétnicas e multiculturais, e extraímos de nossa diversidade a riqueza de nossa cultura e a vitalidade de nossas instituições democráticas. Ao mesmo tempo, enfrentamos graves problemas de pobreza e exclusão social. Tudo isso nos coloca em uma posição privilegiada para aprofundar nosso diálogo e desenvolver nossa cooperação. Talvez isso explique, também, a atenção que tem sido dada ao IBAS desde a sua constituição. Os cada vez mais numerosos artigos de imprensa, seminários e trabalhos acadêmicos dedicados ao Fórum são reveladores do interesse que nossa atuação desperta. Poucos de nós, creio eu, imaginariam que o IBAS alcançaria esse grau de visibilidade em tão curto espaço de tempo. Senhoras e Senhores, O IBAS foi marcado, desde a sua origem, pelo signo do pragmatismo. Mesmo a concertação político-diplomática sobre os mais diferentes temas -- sejam eles a Rodada de Doha, a promoção da paz e da segurança ou o combate à fome e à pobreza – é voltada para a obtenção de avanços concretos. O melhor exemplo da importância da coordenação no âmbito do IBAS foi a criação do G-20 na OMC. Já disse isso em outras ocasiões, mas nunca é demais repetir: o G-20 provavelmente não teria sido possível se não existisse o clima de confiança política entre o Brasil, a Índia e a África do Sul. Nosso países têm, ainda, interesses comuns na democratização das relações internacionais e, em particular, na reforma do Conselho de Segurança da ONU. Defendemos que o órgão decisório máximo das Nações Unidas reflita as mudanças ocorridas nos últimos 60 anos. A presença de grandes países em desenvolvimento como membros permanentes do Conselho corrigirá o déficit de representatividade e dotará o órgão de uma nova perspectiva, que melhor reflita os pontos de vista da vasta maioria dos países membros. Na área de cooperação, estamos desenvolvendo projetos em campos tão variados como educação, saúde, ciência e tecnologia, defesa e sociedade da informação. Realizamos em agosto, aqui mesmo no Rio, o Seminário IBAS sobre Desenvolvimento Econômico com Eqüidade Social. O evento reuniu especialistas dos três países para debater questões relacionadas ao combate à pobreza e à promoção de inclusão social. Queremos seguir avançando na área social, e, para isso, estamos criando um novo grupo de trabalho. Um dos resultados mais relevantes de nossa cooperação foi a assinatura, em agosto passado, de um inédito acordo trilateral de transporte aéreo. A conexão mais direta entre nossos países é uma conquista de valor inestimável. Estou informado de que representantes das empresas aéreas dos três países reuniram-se aqui no Rio para viabilizar uma ligação aérea mais direta entre o Brasil, a África do Sul e a Índia. Senhoras e senhores, Mesmo não sendo formado por países do círculo tradicional de doadores internacionais, o IBAS investe na solidariedade entre países do Sul. O Fundo IBAS de Combate à Fome e à Pobreza quer ser um exemplo de como países de menor desenvolvimento relativo podem se beneficiar das experiências de outros países em desenvolvimento. Já temos um projeto em andamento na área de agricultura na Guiné-Bissau. Estamos iniciando outro, de coleta de lixo, no Haiti. Nosso desafio agora é identificar novos projetos que transformem o Fundo IBAS em um símbolo da nova cooperação Sul-Sul. Outro objetivo importante do IBAS é o aprofundamento dos laços econômicos e comerciais entre nossos países. Noto, com grande satisfação, que nossas relações comerciais vêm crescendo de forma significativa desde 2003. O comércio entre o Brasil e a África do Sul, que era de aproximadamente US$ 700 milhões em 2002, elevou-se a US$ 1,7 bilhão em 2005. Isso equivale a um crescimento de aproximadamente 160% em três anos. Com a Índia, nosso intercâmbio atingiu, no ano passado, US$ 2,3 bilhões, 90% a mais do que em 2002. Avançam, também, os entendimentos com vistas à negociação de um inédito acordo trilateral de livre-comércio. Estamos trabalhando para fazer convergir as negociações comerciais Mercosul-SACU, Mercosul-Índia e SACU-Índia. A liberalização do comércio entre nossos países e seus entornos é elemento essencial para a dinamização do relacionamento comercial. O IBAS é uma excelente oportunidade para que empresários dos três países estabeleçam vínculos comerciais duradouros. Estou seguro de que se converterá numa alavanca de comércio e investimentos reciprocamente vantajosos. O pioneirismo da Índia em aproximar o IBAS dos empresários durante a I Comista foi seguido pela África do Sul, onde estabelecemos o Conselho Empresarial do IBAS. Procuramos perseverar nesse esforço com a organização do Fórum de Comércio e Investimentos, realizado ontem, com grande sucesso, no Hotel Glória. Cara Ministra Zuma, Ministro Sharma, senhoras e senhores delegados, Costumo dizer que o IBAS só estará maduro quando transcender os limites das Chancelarias e da esfera governamental. Deve ser um projeto de nossos homens de negócios, de nossos acadêmicos, de nossos jornalistas, enfim, de nossas sociedades. A maior conquista do IBAS terá sido romper as barreiras mentais que alimentam boa parte do desconhecimento mútuo entre nossos países. É para isso que estamos trabalhando. Muito obrigado.
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